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A Clínica Renal de Roraima informou, nesta quinta-feira (6), que poderá interromper, a partir desta sexta-feira (7), a prestação dos serviços de terapia renal substitutiva contratados pelo Governo de Roraima, por meio da Secretaria de Estado da Saúde (Sesau). Segundo a clínica, a medida ocorre devido ao atraso no pagamento de valores referentes aos serviços prestados.


De acordo com comunicado encaminhado aos pacientes e familiares, o Estado possui um débito de R$ 2.644.289,99 referente às competências de dezembro de 2025 a junho de 2026. Desse montante, R$ 1.433.948,55 foram pagos recentemente, permanecendo um saldo de R$ 1.210.341,44.


A direção da clínica afirma que a suspensão decorre da impossibilidade de manter os tratamentos de alta complexidade sem os recursos necessários para garantir a segurança sanitária dos pacientes.


Segundo a unidade, o Estado de Roraima possui ainda um passivo total de R$ 7.361.970,72 perante a Clínica Renal, considerando créditos em cobrança administrativa e valores já judicializados.


A clínica afirma que não condicionou a continuidade dos atendimentos à quitação integral da dívida e que a cobrança mais recente se concentrou nas competências de dezembro de 2025 a junho de 2026, no valor de R$ 2.644.289,99, quantia que, segundo a empresa, seria necessária para preservar a operação.


“Depois de realizar diversas cobranças, o Governo de Roraima efetuou o pagamento parcial de apenas R$ 1.433.948,55, permanecendo um saldo recente de R$ 1.210.341,44, sem prejuízo dos demais débitos antigos. Necessitamos desse repasse para a compra de insumos para a continuidade da terapia renal dos pacientes, quitação de débitos junto a fornecedores, obrigações tributárias, pagamento dos servidores, contas de água e luz e demais despesas administrativas”, explicou um dos diretores técnicos da clínica ao Blog.


Falta de insumos


No comunicado, a Clínica Renal afirma que os recursos recebidos não foram suficientes para recompor estoques, regularizar fornecedores essenciais e adquirir materiais necessários à realização segura das sessões de hemodiálise.


Entre os itens citados estão sanitizantes e produtos para desinfecção, filtros e componentes do sistema de tratamento de água, peças para as máquinas de hemodiálise, materiais para controle microbiológico e físico-químico da água, soros, heparina, medicamentos e insumos médico-hospitalares, além de serviços de manutenção preventiva e corretiva e materiais para esterilização.


Segundo a clínica, esses itens são indispensáveis para a segurança dos pacientes e não podem ser tratados como despesas secundárias ou adiáveis.


A empresa afirma que a continuidade dos atendimentos sem a recomposição dos estoques, a regularização dos fornecedores e a manutenção adequada dos equipamentos poderia comprometer os padrões técnicos e sanitários exigidos para a realização da hemodiálise.


“A Clínica não realizará tratamentos sem ter condições de assegurar os padrões técnicos e sanitários exigidos para a hemodiálise. O que ocorre, de fato, é uma impossibilidade material, não uma decisão política”, diz o comunicado.


A direção também afirma que a medida não possui caráter partidário ou pessoal e que a intenção é continuar prestando atendimento aos pacientes.


A empresa deseja continuar atendendo. Seus profissionais desejam continuar cuidando dos pacientes. Entretanto, nenhum serviço de saúde de alta complexidade pode ser mantido indefinidamente apenas com o sacrifício financeiro da empresa, de seus trabalhadores, médicos, fornecedores e credores”, acrescentou.


Clínica cobra programação de pagamento


Ainda segundo a Clínica Renal, em 31 de julho de 2026 foi encaminhada nova comunicação à Sesau solicitando a confirmação formal de que o saldo restante seria pago até 10 de agosto, data indicada pela empresa em razão do repasse do Fundo de Participação dos Estados (FPE).


Até o momento, segundo a clínica, não houve resposta objetiva nem apresentação de uma programação oficial para o pagamento.


A unidade afirma que o valor recebido do Estado foi utilizado para quitar a folha de pagamento dos trabalhadores e parte das obrigações tributárias consideradas mais urgentes. No entanto, segundo a empresa, os recursos não foram suficientes para regularizar fornecedores e recompor os estoques necessários à manutenção dos serviços.


A clínica ressalta ainda que a continuidade da terapia renal substitutiva depende tanto das condições técnicas da prestadora quanto da regularidade dos pagamentos por parte da Administração Pública.


Sesau contesta suspensão


Em nota, a Secretaria de Estado da Saúde informou que efetuou o pagamento à Clínica Renal referente às despesas de Reconhecimento de Dívida das competências de dezembro de 2025 e junho de 2026, totalizando R$ 1.433.948,55.


Segundo a Sesau, as competências de abril, maio e junho de 2026 encontram-se em tramitação administrativa para a alocação dos recursos orçamentários necessários à quitação.


A Secretaria afirma ainda que “não há fundamento legal para a suspensão da prestação dos serviços”, uma vez que, segundo o órgão, os pagamentos em processamento não ultrapassam o prazo de inadimplência previsto contratualmente e na legislação aplicável.


A Sesau informou também que segue adotando as providências necessárias para a conclusão dos processos administrativos e para garantir a manutenção da assistência aos pacientes que necessitam de terapia renal substitutiva.


Clínica diz ter chegado ao limite


A Clínica Renal afirma que chegou ao limite de sua capacidade financeira e operacional e lamenta a situação enfrentada pelos pacientes e familiares.


A unidade diz permanecer aberta ao diálogo e à retomada dos serviços tão logo sejam disponibilizados os recursos necessários para a recomposição dos estoques, regularização dos fornecedores essenciais e restabelecimento das condições consideradas mínimas para a segurança sanitária.


“O nosso compromisso com os pacientes permanece inalterado. O que se esgotou não foi a disposição de atendê-los, mas a capacidade material de continuar prestando um serviço vital sem a correspondente contraprestação financeira do Estado”, conclui o comunicado.

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