“O velho esquema do emissor e do
receptor de informações não existe mais”, afirma o jornalista Mário Magalhães,
em episódio inédito da série Galáxias – Olhares Sobre o Brasil, com o tema
Mídia. “Quem recebe também emite. Isso
tem um impacto gigantesco, não só no jornalismo, mas na sociedade”, explica.
Além de Magalhães, pensadores de diversas áreas refletem sobre o assunto
abordando influência no âmbito social, político e ideológico. Com direção de
Isa Grinspum Ferraz, o programa será exibido no dia 16/9, quarta, às 21h, no
SescTV. A série é uma produção do canal em parceria com o Instituto de Estudos
Brasileiros da Universidade de São Paulo (IEB) - que disponibilizou seu acervo
para pesquisas.
Com fotos do coletivo Mídia Ninja,
vídeos de Cao Guimarães e trilha sonora do DJ Dolores, Galáxias debate diversos
assuntos, como meio ambiente, educação e produção estética. Para discutir os
temas, foram convidadas 15 personalidades. São acadêmicos, pensadores,
cientistas, escritores e artistas, como o antropólogo Eduardo Viveiros de
Castro; o músico, compositor e ensaísta José Miguel Wisnik, o rapper Emicida, o
arquiteto Paulo Mendes da Rocha e a geneticista Mayana Zatz. A série exibe um
episódio inédito todas as quartas-feiras, às 21h, totalizando 12 programas, com
26’ cada.
No episódio Mídia, o filósofo e ensaísta
Francisco Bosco define as redes sociais como metamídia, por produzir e
selecionar, ao mesmo tempo, conteúdo da grande imprensa, submetendo-o à
crítica. Já o antropólogo Eduardo Viveiros de Castro vê as redes sociais como
uma imprensa alternativa, na qual as pessoas podem expor suas opiniões.
Para o sociólogo Jessé de Souza, além da
internet, outros meios de comunicação, como jornal, revista, rádio e televisão,
são heterogenios e, como em qualquer outro campo do mundo do trabalho, há
conflitos de interesses. “A mídia é uma grande indústria e seus proprietários
têm interesses dos grandes”, comenta.
Na opinião de Bosco, os grandes veículos
de comunicação brasileiros são conservadores. “São alinhados à uma velocidade
baixíssima na produção de igualdade”, diz. “A grande imprensa tenta nos isolar”,
afirma Jaime Amorim, dirigente do MST, que expõe que os espaços aparecem em
veículos locais e nas redes sociais. Sobre uma mudança na mídia atual, o
jornalista Mário Magalhães acredita que a maior revolução que poderia haver
seria acabar com a tentativa de influenciar os acontecimentos nacionais. Para ele, ao invés disso, deveriam informar
com mais isenção, critério, rigor e escrúpulos.
A publicidade também é tratada pelos
convidados. José Miguel Wisnik fala sobre a televisão e a publicidade em larga
escala. Segundo ele, há um bombardeio ao imaginário dos brasileiros, e, devido
à concentração de renda, grande parte desses telespectadores não tem acesso aos
produtos expostos na telinha. O Emicida complementa a fala de Wisnik ao dizer
que, na favela, as pessoas sentem necessidade de ter determinados produtos
exibidos na televisão, e acreditam que esses objetos farão com que eles sejam
aceitos na sociedade.
SERVIÇO:
Galáxias – Olhares sobre o Brasil
Meio Ambiente
Estreia: 19/9, quarta, às 21h
Reapresentações: 18/9, sexta, às 17h;
19/9, sábado, às 20h; 20/9, domingo, às 14h e às 22h30; 21/9, segunda, às 9h; e
22/9, terça, às 12h.
Classificação indicativa: Livre

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