O Centro Humanitário de Apoio à Mulher (Chame), da Assembleia Legislativa de Roraima (ALERR), participou nesta terça-feira (11) da Oficina para o Fortalecimento da Rede de Atenção às Violências: Identificação, Notificação e Linha de Cuidado, no Auditório do Centro Universitário Estácio da Amazônia. O evento seguirá nesta quarta-feira (12).
A iniciativa promovida pela Prefeitura de Boa Vista reúne profissionais de diferentes áreas que atuam na rede de proteção e atendimento às vítimas de violência, e tem como objetivo melhorar a identificação dos casos de violências interpessoais e autoprovocadas, além de orientar sobre a notificação dessas ocorrências e o encaminhamento adequado das vítimas.
A advogada do Chame, Rayssa Veras, palestrou sobre o funcionamento do programa, momento em que destacou a importância da integração dos diversos setores que atuam no atendimento às vítimas de violência. “Esse sistema, que chamamos de rede de proteção à mulher, formado por várias instituições dos três poderes, faz com que essa vítima possa atravessar essa situação da melhor forma possível”, afirmou.
Participam da oficina representantes de instituições de Saúde, Assistência Social, Educação, Segurança Pública e Justiça. A principal proposta do evento é promover discussões sobre o fortalecimento e a integração dos serviços. Segundo Thamirys Bastos, psicóloga da Casa da Mulher Brasileira, que reúne em um só local atendimentos jurídico, social e de orientação, o combate à violência começa com a prevenção.
“A gente entende que as mulheres são mais fáceis de sofrer violência, pois elas estão em uma posição mais vulnerável na sociedade. Por isso, precisamos estar preparados para receber essas vítimas, para prestar orientação sobre os direitos delas e dar acolhimento. Nós também trabalhamos com a parte final, que é quando essa mulher precisa fazer uma denúncia e de medida protetiva. É importante que toda equipe esteja preparada para ajudar as vítimas”, pontuou.
Aprimorando a rede de cuidado
De acordo com Keila Cinara, coordenadora municipal do Núcleo de Doenças e Agravos não Transmissíveis (DANT), a ideia do encontro é compartilhar o conhecimento sobre a identificação e a notificação de casos de violência, além de fortalecer a chamada linha de cuidado às vítimas, garantindo acompanhamento adequado, continuidade do atendimento e acesso aos serviços necessários.
“A proposta é evitar que a pessoa em situação de violência se sinta desassistida. Na área da saúde, a identificação dos casos ocorre durante a rotina de atendimento nas unidades básicas. Para isso, os profissionais passam por capacitações e são orientados a utilizar a ficha de notificação do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), ferramenta do Ministério da Saúde destinada ao registro de casos de violência”, ressaltou.
Segundo ela, o preenchimento da ficha é realizado a partir de uma entrevista com a vítima e não depende de autorização prévia. O objetivo é reunir informações sobre a ocorrência para subsidiar as ações de vigilância em saúde.
“A ficha é encaminhada à Vigilância, onde os dados são compilados e utilizados na elaboração de boletins epidemiológicos. Essas informações são consideradas fundamentais para orientar a tomada de decisões e subsidiar o trabalho das instituições envolvidas no atendimento às vítimas", explicou.
Entre as instituições participantes estão a Guarda Civil Municipal, por meio da Patrulha Maria da Penha; a Casa da Mulher Brasileira; o CHAME; o Tribunal de Justiça de Roraima; a Secretaria de Estado da Saúde; a Secretaria Municipal de Assistência Social; e as secretarias de Educação.
Texto: Suzanne Oliveira
Fotos: Jader Souza
SupCom ALERR - 11.08.2026

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