Cobranças que chegaram a R$ 8 mil por serviços de controle de pragas urbanas, popularmente conhecidos como “dedetização”, levaram a PCRR (Polícia Civil de Roraima) a instaurar Inquérito Policial para investigar cinco homens suspeitos de associação criminosa, crimes contra as relações de consumo e crime ambiental. As investigações da DDCON (Delegacia de Defesa do Consumidor) apontam que o grupo atuava induzindo consumidores ao erro por meio de informações enganosas sobre a quantidade de produto utilizada durante os serviços.
Os investigados são J.N.N., de 43 anos; B.A.M., de 32 anos; D.A.A., de 41 anos; E.M.S., de 35 anos; e C.S.M., de 47 anos.
Segundo as apurações conduzidas pelo Delegado Titular da DDCON, Rodrigo Gomides, os investigados percorriam bairros residenciais, estabelecimentos comerciais e hotéis oferecendo serviços de controle de pragas por valores aparentemente acessíveis. Após a execução do trabalho, no entanto, alegavam ter utilizado quantidades muito superiores do produto inicialmente informado, elevando significativamente o valor cobrado das vítimas.
Em um dos casos registrados pela Polícia Civil, a cobrança chegou a R$ 8 mil. As investigações apontam que os suspeitos já haviam atuado em Roraima em setembro de 2025. Na ocasião, foram registrados quatro boletins de ocorrência relacionados à mesma prática, sendo três em Boa Vista e um no município de Alto Alegre.
De acordo com o Delegado, após as primeiras denúncias, os investigados deixaram o Estado antes da conclusão das diligências. Na semana passada, porém, a Polícia Civil recebeu novas informações indicando que eles haviam retornado a Boa Vista e estariam novamente oferecendo os serviços.
Segundo as investigações, os suspeitos seriam oriundos do município de Cedro, no Estado de Pernambuco e se deslocariam entre diferentes Estados brasileiros oferecendo os serviços.
Após o compartilhamento das informações entre equipes policiais, um dos investigados foi localizado e conduzido à DDCON para prestar esclarecimentos. Em seguida, policiais civis, com apoio da Vigilância Sanitária Municipal, realizaram diligências no imóvel onde os cinco suspeitos estavam hospedados.
Durante a ação foram apreendidos produtos químicos, uniformes utilizados durante os atendimentos, recibos com indícios de irregularidades e diversos documentos considerados relevantes para o Inquérito.
Os cinco investigados foram conduzidos à Unidade Policial, foram interrogados e foram liberados. Conforme o Delegado, naquele momento não havia situação de flagrante delito que justificasse a prisão.
O Inquérito Policial também apura o crime ambiental relacionado ao armazenamento, utilização e descarte irregular de embalagens de produtos químicos sujeitos à legislação ambiental, uma vez que mês disseram que enterravam as embalagens vazias e não as descartavam corretamente conforme previsto na logística reversa.
*COMO O GRUPO AGIA*
Conforme o Delegado, os suspeitos ofereciam os serviços informando inicialmente que seriam utilizados aproximadamente dois litros do produto, cujo valor médio gira em torno de R$ 280 por litro. Após a conclusão do serviço, porém, alegavam ter utilizado entre 14 e 20 litros do produto, elevando drasticamente o valor cobrado.
“A principal reclamação das vítimas é que os investigados apresentavam um valor inicial e, ao final do serviço, alegavam ter utilizado uma quantidade muito maior de produto. Há indícios de que essas informações eram enganosas e tinham o objetivo de induzir o consumidor ao erro”, explicou o Delegado Rodrigo Gomides.
As investigações apontam ainda que as quantidades alegadas pelos suspeitos seriam incompatíveis com aplicações convencionais em residências e estabelecimentos comerciais. Segundo o Delegado, análises preliminares realizadas durante a investigação indicam que a quantidade de produto informada aos consumidores não condiz com o volume normalmente empregado nesse tipo de serviço, reforçando os indícios de que as vítimas eram induzidas ao erro durante a contratação.
Embora não tenham sido relatadas ameaças diretas, diversas vítimas realizaram pagamentos totais ou parciais por receio da situação criada durante a cobrança e posteriormente procuraram a Polícia Civil para registrar ocorrência.
*ATUAÇÃO EM OUTROS ESTADOS*
As apurações indicam que condutas idênticas às praticadas em Roraima também foram registradas por de boletins de ocorrências nos Estados de Mato Grosso, Rondônia e Acre.
As investigações também identificaram registros relacionados à mesma prática desde 2021 no Estado de Mato Grosso, reforçando a suspeita de uma atuação reiterada em diferentes Estados brasileiros.
Durante as diligências, a Polícia Civil identificou ainda elementos que reforçam a suspeita de uma atuação organizada. Foi constatada a utilização do mesmo aparelho celular e da mesma linha telefônica identificados em Roraima em um registro anterior no Estado do Acre, circunstâncias que estão sendo analisadas pelos investigadores.
Rodrigo Gomides explicou que a investigação também apura a possível participação de outras pessoas ligadas ao grupo e a existência de vítimas em outros Estados da Federação.
*ALERTA À POPULAÇÃO*
O Delegado orientou aos consumidores que tenham contratado serviços semelhantes e se sintam lesados a procurarem imediatamente a DDCON ou qualquer Unidade Policial para registrar boletim de ocorrência.
Ele recomenda ainda que a população procure empresas regularmente estabelecidas e profissionais com referências conhecidas, evitando a contratação de serviços ofertados de porta em porta por pessoas desconhecidas.
“Além do risco de prejuízos financeiros, a contratação de pessoas sem referências pode representar riscos à segurança dos moradores. A recomendação é buscar empresas credenciadas e sempre exigir orçamento detalhado antes da execução do serviço”, destacou.
Gomides reforçou ainda que a colaboração da população é fundamental para a identificação de novas vítimas e para o avanço das investigações.
SECOM RORAIMA
Texto: Ascom/PCRR
Fotos: Ascom/PCRR

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