Os idosos e pacientes de doenças crônicas
representam o público que causa maior preocupação com a pandemia do novo
coronavírus (Covid-19). Isso porque a baixa imunidade faz dessas pessoas mais
vulneráveis à ação do vírus e a complicações decorrentes dele, como síndromes
respiratórias agudas graves.
Estudo do Centro para a Prevenção e
Combate a Doenças da China analisou casos no país, tomando exemplos do mês de
fevereiro, e identificou que a taxa de mortalidade avança conforme a idade.
Enquanto entre 0 e 49 anos ela não passa
de 1%, entre 50 e 59 fica em 1,3%, entre 60 e 69 vai para 3,6%, entre 70 e 79
anos sobe para 8% e acima dos 80 chega a 14,8%.
Ao falar na Comissão Geral da Câmara dos
Deputados na última quarta-feira (11), o ministro da Saúde, Luiz Henrique
Mandetta, destacou a atenção necessária a esse público. “O maior grupo de risco
é formado pelos idosos e doentes crônicos. Estes é o grupo que queremos
superproteger. Quando jovens ganham imunidade, o vírus cai. Quanto menos pessoas
idosas e com doenças crônicas tivermos, menos usaremos os sistemas
hospitalares”, destacou.
No Brasil, ainda não houve mortes em razão
da epidemia. De acordo com números divulgados ontem (12) pelo Ministério da
Saúde, a maioria dos casos (40%) é de pessoas abaixo de 40 anos, enquanto os
acima de 60 anos representam 14% das pessoas infectadas. A média geral é de 42
anos.
No mesmo evento na Câmara, o ministro
alertou, no entanto, que os números são “enganosos”. “A maioria [dos casos
confirmados] veio de viagens de fora. São pessoas de poder aquisitivo elevado e
com faixa etária mais baixa. É o pessoal que viaja. Acima de 69 são os que
menos viajam", explicou.
Já as doenças crônicas também devem ser
objeto de cuidado pela vulnerabilidade que confere ao portador. De acordo com o
Ministério da Saúde, entre os pacientes de doenças crônicas que precisam de
maior atenção estão aqueles com diabetes, hipertensão, doenças renais,
cardíacas e respiratórias, por exemplo.
Mudança radical
A professora aposentada Arilda Maria
Marcondes de Souza, de 71 anos, além de se enquadrar no grupo de idosos, também
tem uma doença crônica. Ela adotou uma mudança radical em sua vida em razão da
pandemia que assola o mundo.
Por recomendação médica, Arilda parou de
frequentar lugares fechados com aglomerações. “O reumatologista disse que era
para evitar até contato como os netos”, relata.
Ela evita fazer compras, ir à farmácia ou
a aulas onde fazia atividades físicas. “É uma situação muito ruim. Está me
incomodando demais. Estou precisando comprar coisas, remédios e fazer atividade
física. A gente tem que esperar o que vem por aí”, lamenta.

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