Em comemoração ao 13º aniversário de
implantação da Lei Maria da Penha, o Governo de Roraima promove nesta
quarta-feira, 07, com instituições parceiras, uma ação de conscientização no
dia D de Enfrentamento à Violência Contra as Mulheres.
Das 14h às 16H vai ocorrer o 3º Encontro
de Mulheres Vítimas de Violência, na Casa da Mulher Brasileira (CMB), com
apresentação de palestras, vídeos e oficinas direcionadas a todas que de alguma
forma sofreram violência. A partir das 16h30, a mobilização acontece no cruzamento
entre as avenidas Mario Homem de Melo e Venezuela, no bairro Mecejana, com
distribuição de folders.
Conforme a titular da Secretaria do
Trabalho e Bem-Estar Social (Setrabes), Tânia Soares, a data tem que ser
lembrada e ratificada pela sua relevância social. "Além da relevância
social, a data é um divisor de águas no enfrentamento da violência doméstica e
familiar contra a mulher", afirmou a secretária.
Graça Policarpo, que está à frente da
coordenação de políticas públicas para as mulheres, frisou que desde o início
da atual gestão, os apontamentos interinstitucionais têm promovido mais acesso
aos mecanismos de denúncia, acolhimento e suporte, com uma equipe
multidisciplinar qualificada.
“Em
seis meses de atendimento na Casa da Mulher Brasileira, mais de 1.500 mulheres
se encorajaram e denunciaram seus agressores. Um número alarmante que
infelizmente coloca Roraima no protagonismo de violência contra a mulher no
mapa brasileiro da violência. Por isso que as políticas públicas a cada dia são
reforçadas, para minimizarmos esta triste estatística”, mencionou.
História
- Maria da Penha é uma farmacêutica brasileira, natural do Ceará, que sofreu
constantes agressões por parte do marido.
Em 1983, seu esposo tentou matá-la com um
tiro de espingarda. Apesar de ter escapado da morte, ele a deixou paraplégica.
Quando, finalmente, voltou à casa, sofreu nova tentativa de assassinato, pois o
marido tentou eletrocutá-la.
Quando criou coragem para denunciar seu
agressor, Maria da Penha se deparou com uma situação que muitas mulheres
enfrentavam neste caso: incredulidade por parte da Justiça brasileira.
Por sua parte, a defesa do agressor sempre
alegava irregularidades no processo e o suspeito aguardava o julgamento em
liberdade.
Em 1994, Maria da Penha lançou o livro
“Sobrevivi...posso contar”, onde narra as violências sofridas por ela e pelas
três filhas.
Da mesma forma, resolveu acionar o Centro
pela Justiça e o Direito Internacional (CEJIL) e o Comitê Latino Americano e do
Caribe para a Defesa dos Direitos da Mulher (CLADEM).
Estes organismos encaminham seu caso para
a Comissão Interamericana de Direitos Humanos da Organização dos Estados
Americanos (OEA), em 1998.
O caso de Maria da Penha só foi
solucionado em 2002, quando o Estado brasileiro foi condenado por omissão e
negligência pela Corte Interamericana de Direitos Humanos.
Desta maneira, o Brasil teve que se
comprometer em reformular suas leis e políticas em relação à violência
doméstica.
Anos depois de ter entrado em vigor, a Lei
Maria da Penha pode ser considerada um sucesso. Apenas 2% dos brasileiros nunca
ouviram falar desta lei e houve um aumento de 86% de denúncias de violência
familiar e doméstica após sua criação.

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