Conforme
dados do Sipam (Sistema de Proteção da Amazônia), o fenômeno El Niño, que tem
provocado a onda de estiagem e altas temperaturas em Roraima desde o ano
passado e que permanece este ano, é um dos mais fortes dos últimos 40 anos. E a
previsão, até o momento, para os próximos três meses, é de que mantenha o
índice pluviométrico abaixo da média e temperaturas elevadas. Esta foi a
avaliação passada pelo chefe da Divisão de Meteorologia, Ricardo Dallarosa,
durante Reunião do Comitê de Prevenção às Queimadas, realizada na manhã de quarta-feira,
dia 8.
Para
o comandante do Corpo de Bombeiros, Coronel Edivaldo Amaral, a situação atual é
preocupante, tanto quanto à estiagem quanto à falta de água, o que pode ser
comprovado, por exemplo, pelo fato de 30% das cacimbas construídas no Interior
para o gado beber água já estarem secas. Mas o comandante reforça: “Nossa maior
preocupação neste momento é com as queimadas, por isso a governadora Suely
Campos já determinou que começássemos a colocar em prática o Plano de
Contingência, para que possamos minimizar os efeitos das condições climáticas
que, pela previsão, trará muito trabalho”, destacou Amaral.
Durante
a reunião foi apresentada aos participantes a situação atual das queimadas, os
focos de calor registrados do início do ano e áreas desmatadas, definindo,
dessa forma, onde é mais urgente o início dessas ações. “A situação começa a
nos preocupar, pois a baixa umidade do ar e altas temperaturas aumentam riscos
de incêndios. Na próxima reunião do Comitê, já traremos a primeira área onde a
Defesa Civil irá instalar as bases, que deverá começar a partir da segunda
quinzena de outubro, para evitar que os incêndios na beira da rodovia não
adentre a mata”, adiantou Amaral, informando que as reuniões do Comitê devem
ser realizadas a cada 15 dias.
Assim,
diante da previsão nada otimista, aliada aos índices elevados de desmatamento e
focos de queimadas registrados no início do ano, o Comitê está se antecipando
para programar e realizar as ações preventivas para 2015/2016. “Dessa forma, ao
contrário do início do ano, quando esta gestão se deparou com a estiagem já
instalada e atuação principalmente de reação às queimadas, agora poderemos
atuar preventivamente”, explica o diretor da Femarh (Fundação do Meio Ambiente
e Recursos Hídricos), Rogério Martins.
E
mesmo com a falta de tempo de atuação das equipes no início do ano, os
resultados foram positivos, conforme pontua o comandante do Corpo de Bombeiros,
já que houve avanços na prevenção naquele momento. “Definimos um calendário de
queimadas, instalamos base da Defesa Civil no Interior para orientar os
agricultores e treinamos alguns agricultores para atuar no combate à incêndio
em situações de emergência. Percebemos que o próprio curso de formação já surte
efeito imediato, pois ele já se conscientizam sobre a importância da
prevenção”, explicou o comandante dos Bombeiros.
Agora,
com a união de mais de 20 órgãos que compõem o Comitê, a previsão de realização
de ações ainda mais efetivas na prevenção e fiscalização. “Vamos unir esforços
para que esses estudos já realizados pelo Corpo de Bombeiros sejam
compartilhados com os demais órgãos e possamos intensificar essas ações”,
destacou o diretor da Femarh.
PARCERIA
– Para uma atuação ainda mais precisa na previsão climática do estado, a Femarh
está viabilizando um Termo de Cooperação com o Sipam para que este órgão possa
compartilhar o conhecimento na área de metrologia e de pesquisa com o Governo
do Estado.
A
Femarh possui um sistema de informações, por meio da plataforma de coleta de
dados em parceria com a ANA (Agência Nacional de Águas), mas essa parceria
garantirá a modernização desse sistema. “Essas plataformas de coleta estavam
obsoletas, por isso o Sipam está trazendo tecnologia para modernizar essas
plataformas, com informações necessárias para realizar o planejamento de
meteorologia de Roraima”, ressalta o diretor da Femarh, Rogério martins Campos.
Esse
sistema permitirá realizar coleta pluviométrica, dos ventos e da temperatura.
“Com isso, iremos diminuir os riscos de erro e, com previsões de períodos mais
longos, poderemos avançar quanto à prevenção”, destacou.
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