A oitava edição do Prêmio Fundação Banco
do Brasil irá premiar pela primeira vez tecnologias sociais para o Meio Urbano.
Para essa categoria, foram selecionados iniciativas das cidades do Rio de
Janeiro e São Paulo. São ao todo 18 finalistas concorrendo em seis categorias
com premiação total no valor de R$ 600 mil. As vencedoras serão conhecidas em
cerimônia prevista para 29 de outubro.
A tecnologia social "Censo Maré -
cartografia, demografia e atividades econômicas" está entre as três
finalistas para o Meio Urbano. A iniciativa é realizada desde 2011 no maior
conjunto de favelas do Rio de Janeiro, o Complexo da Maré, que tem 140 mil
moradores. O projeto da ONG Redes da Maré, em parceria com o Observatório de
Favelas, consiste no levantamento de dados sobre a população, a geografia e a
economia local. O objetivo é ampliar o conhecimento sobre essa comunidade,
fortalecer a identidade e a inclusão social dos moradores e subsidiar propostas
para o poder público, empresas e sociedade civil. A metodologia resultou na
publicação do Guia de Ruas da Maré, em 2012, no Censo de Empreendimentos
Econômicos da Maré e no 1º Seminário de Empreendedores da Maré, em 2014. Esta
iniciativa também foi reaplicada em comunidades com Unidades de Polícia
Pacificadora (UPP) implementadas até 2013.
Outra finalista da categoria é a
tecnologia "Coletivo Reciclagem", que visa profissionalizar
cooperativas de catadores de materiais recicláveis para inclusão na cadeia
produtiva de resíduos sólidos. Implementada, desde2013, busca gerar mais
eficiência, trabalho em rede, renda justa e ambiente digno aos profissionais. A
cada seis meses é realizado um diagnóstico dos empreendimentos com elaboração
de plano de ação e de investimentos e o acompanhamento presencial de um grupo
de profissionais. A organização responsável, o Instituto Coca-Cola Brasil,
informa que a metodologia já está sendo utilizada em 232 cooperativas em 13
estados, com melhora na gestão do trabalho e na renda dos catadores.
A tecnologia "A Escola é Cidade
& A Cidade é Escola" é outra concorrente para o Meio Urbano. A
metodologia foi desenvolvida pela instituição Eduqativo - Instituto Choque
Cultural, e reaplicada em 30 instituições de ensino de São Paulo. A proposta é
integrar educação, cultura e arte para tornar o ambiente de aprendizado mais
atrativo aos alunos, dentro e fora da escola. No total, 251 professores de arte
e outras disciplinas foram capacitados e 36.800 alunos envolvidos em ações de
intervenções artísticas e urbanas. As outras cinco categorias que fazem parte
do Prêmio são: Comunidades Tradicionais, Agricultores Familiares e Assentados
da Reforma Agrária; Juventude; Mulheres; Gestores Públicos; Universidades e
Instituições de Ensino e Pesquisa. Das 18 finalistas, a iniciativa vencedora de
cada categoria vai receber R$ 50 mil e as outras duas finalistas, R$ 25 mil.
Realizado a cada dois anos, o Prêmio tem
como objetivo identificar e difundir tecnologias sociais, que promovam o
envolvimento da comunidade, transformação social efetiva e possibilidade de
serem reaplicadas e implementadas em âmbito local, regional ou nacional. Além
disso, as soluções devem ser efetivas nas áreas de alimentação, educação,
energia, habitação, meio ambiente, recursos hídricos, renda e saúde. Neste ano,
são parceiros da iniciativa a Petrobras, o Banco Interamericano de
Desenvolvimento (BID), e a Organização das Nações Unidas para a Educação, a
Ciência e a Cultura (Unesco).

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