A maioria dos ministros do Supremo
Tribunal Federal (STF) decidiu ontem (10) que é inconstitucional exigir
autorização prévia para divulgação de biografias. Até o momento, seis ministros
entenderam que a exigência caracteriza censura prévia.
O plenário seguiu voto da ministra
Cármen Lúcia, relatora da ação direta de inconstitucionalidade apresentada pela
Associação Nacional dos Editores de Livros contra liminares dadas nas
instâncias inferiores, proibindo o lançamento das biografias não autorizadas.
Seguiram o voto os ministros Luís
Roberto Barroso, Rosa Weber, Luiz Fux, Dias Toffoli e Gilmar Mendes. Faltam os
votos dos ministros Marco Aurélio, Celso de Mello e do presidente da Corte,
Ricardo Lewandowski.
De acordo com a relatora, é
inconstitucional o entendimento de que é preciso autorização prévia dos
biografados para publicação de obras bibliográficas ou audiovisuais. Segundo a
ministra, o entendimento contrário significa censura prévia. Apesar de garantir
a liberdade aos biógrafos, Cármen Lúcia garantiu que reparação material poderá
ser concedida nos casos de abusos.
ENTENDA O CASO
A celeuma em torno dos livros começou há
quase oito anos, com a publicação (e posterior proibição) de livro Roberto
Carlos em detalhes, do jornalista Paulo César Araújo. A briga colocou em lados
opostos personalidades do país. Por meio da associação Procure Saber, diversos
artistas se opuseram à liberação das biografias não autorizadas, como os cantores
Djavan, Chico Buarque e Caetano Veloso.
A decisão é de grande impacto para o
mercado editorial, pois livreiros e biografados garantem a existência de
significativa demanda reprimida por parte do público. Um dos argumentos
mencionados com frequência é o crescente consumo de biografias lançadas no
exterior e traduzidas para o Brasil, enquanto personalidades “biografáveis”
deixam de estampar capas de livros. São vários os casos de editoras ou
escritores que desistem ou são impedidos judicialmente de seguirem adiante com
projetos acusados de vasculhar a vida íntima dos personagens.
OBRAS CENSURADAS
Pelo menos cinco obras figuram entre as publicações que tinham sido
proibidas de serem comercializadas entre elas: Noel Rosa – Uma biografia, de
João Máximo e Carlos Didier Desde 1990, quando o livro foi lançado, os autores
estão em conflito com herdeiros do músico para liberação do livro, que
permanece proibido desde então.
Garrincha, estrela solitária, de Ruy
Castro
Circulação do livro foi proibida em
1995. O autor enfrentou judicialmente familiares de Garrincha por mais de uma
década. Em 2006, as partes entraram em acordo.
Roberto Carlos em detalhes, de Paulo
Cesar de Araújo
Caso emblemático da proibição das
biografias não autorizadas, teve a comercialização impedida em 2007 pela
Justiça. No ano seguinte, um projeto de lei abordava a questão da liberação.
Arquivado, foi retomado posteriormente.
Sinfonia de Minas Gerais – A vida e a
literatura de João Guimarães Rosa, de Alaor Barbosa, Imbróglio com a filha do
escritor, que apontou a existência de informações erradas na biografia, obrigou
a editora a retirar o livro de circulação.
Anderson Spider Silva – O relato de um
campeão nos ringues da vida, de Eduardo Ohata
Mesmo tendo sido autorizada pelo
lutador, a biografia foi censurada depois de uma das pessoas citadas no livro,
um ex-treinador de Anderson Silvar, ter acionado a Justiça contra o livro.

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