Na última quinta-feira de agosto, celebramos o Dia Nacional da Diálise, instituído pela Lei nº 14.650/2023.
Com o aumento da expectativa de vida e o envelhecimento da população, associado à elevada prevalência de doenças que agridem os rins — especialmente o diabetes e a hipertensão arterial, cresce também o número de pessoas com comprometimento da função renal.
De acordo com o médico Nefrologista Kalil Coelho, auando a doença renal alcança um estágio muito avançado, os rins deixam de eliminar adequadamente toxinas e excesso de líquidos, além de não conseguirem manter o equilíbrio dos eletrólitos e da acidez do organismo. Sem uma terapia renal substitutiva, essa condição é incompatível com a manutenção da vida.
“Para os pacientes que possuem indicação e condições clínicas, o transplante renal geralmente proporciona maior sobrevida e melhor qualidade de vida. Entretanto, enquanto aguardam por um órgão, é a diálise que os mantém vivos e em condições de chegar com segurança ao transplante. Para aqueles que não podem ou não desejam ser transplantados, ela também pode representar um tratamento contínuo e duradouro”, explicou.
O INÍCIO - Em 1924, o médico alemão Georg Haas realizou, na Alemanha, a primeira hemodiálise em um ser humano. Desde então, a medicina avançou extraordinariamente e a diálise passou a salvar milhões de vidas em todo o mundo.
A diálise substitui parte das funções dos rins. Na hemodiálise, o sangue passa por um filtro conectado a uma máquina, onde são removidos toxinas e excesso de líquidos, sendo depois devolvido ao paciente. Na diálise peritoneal, utiliza-se o próprio peritônio — membrana localizada no abdome — para realizar esse processo. As duas modalidades são tratamentos seguros e eficazes quando corretamente indicadas e acompanhadas.
No Brasil, centenas de clínicas e centros de diálise públicos, filantrópicos e, principalmente, privados contratados pelo SUS — formam uma rede indispensável à saúde pública. Diariamente, milhares de profissionais trabalham para garantir que nenhum paciente fique sem o tratamento necessário para continuar vivendo.
Entretanto, manter essa estrutura tornou-se um enorme desafio. O financiamento público permanece abaixo do custo real do tratamento, comprometendo a sustentabilidade das clínicas, a abertura de novas vagas, a renovação dos equipamentos, a valorização dos profissionais e a incorporação de tecnologias já disponíveis em outros países.
Kalil destaca que no dia Nacional da Diálise, precisamos conscientizar a sociedade e chamar a atenção dos gestores e representantes políticos para financiar adequadamente a diálise, observando não apenas manter um procedimento, além de tudo é preservar vidas, famílias, histórias e futuros.
“A diálise vai além de um procedimento médico; é uma oportunidade de manutenção da vida para milhões de pacientes no mundo. Para os pacientes, diálise representa esperança, força e a possibilidade de continuar perseguindo seus sonhos e realizações. A diálise não é o fim da vida. Ela é a oportunidade de continuar vivendo, construindo planos e aguardando por novos caminhos” relatou.


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