A Polícia Federal cumpriu, na sexta-feira (5), quatro mandados de busca e apreensão em Macapá (AP) a fim de investigar a aplicação de R$ 400 milhões do Regime Próprio de Previdência Social do Estado do Amapá (RPPS/AP) no Banco Master.
A instituição financeira foi liquidada pelo Banco Central no ano passado.
A Operação, batizada de Zona Cinzenta, avalia se houve irregularidades, por parte dos gestores da autarquia estadual Amapá Previdência, a Amprev (unidade gestora estadual). Os mandados foram expedidos pela 4ª Vara de Justiça Federal.
A investigação busca identificar por que houve aprovação e execução desses investimentos realizados em uma operação de risco. Há suspeita de que tenham havido crimes de gestão temerária e de gestão fraudulenta.
"Protegidos"
Segundo a página da Amprev, estão vinculados ao sistema previdenciário 30 mil segurados ativos e 2.100 beneficiários civis e militares, entre aposentados e pensionistas.
Em nota, a autarquia afirmou que os recursos dos segurados estão protegidos e que obteve vitória na Justiça em ação movida contra o Banco Master.
O documento, assinado pelo presidente da autarquia, Jocildo Lemos, destacou que a 2ª Vara de Fazenda Pública de Macapá autorizou que o Estado e a Amprev retenham os valores dos empréstimos consignados que seriam repassados ao Banco Master.
“Esses recursos ficarão provisionados em conta específica no Banco do Brasil, sob fiscalização do Judiciário, até o julgamento final do processo”, explicou a Amprev.
A Amprev acrescentou que a decisão da Justiça também proibiu o Banco Master de adotar qualquer medida de cobrança contra servidores, aposentados e pensionistas que possuem empréstimos consignados.
“Os valores retidos não serão utilizados, permanecendo depositados em instituição financeira idônea, com prestação de contas ao Judiciário a cada 90 dias”, afirmou o presidente da empresa.
Amazonprev também investiu R$ 50 milhões no Banco Master antes de liquidação
A Manausprev, atualmente denominada Amazonprev e responsável pela gestão do fundo de pensão dos servidores públicos do Estado do Amazonas, teria realizado um investimento de R$ 50 milhões no Banco Master, por meio da aquisição de Letras Financeiras (LF), em junho de 2024.
A aplicação ocorreu mais de um ano antes da liquidação da instituição financeira, decretada em novembro de 2025.
Com a liquidação do banco, o investimento passou a gerar preocupações e levantou questionamentos sobre possíveis falhas nos processos internos de análise, aprovação e gestão de risco adotados à época da decisão.
Diante do cenário, órgãos de controle e fiscalização passaram a acompanhar o caso, avaliando a conformidade da aplicação com as normas que regem os investimentos dos regimes próprios de previdência.
Em nota, a Amazonprev informou que possui reservas e mecanismos financeiros suficientes para assegurar o pagamento regular de aposentadorias e pensões, reforçando que os benefícios dos servidores não estão comprometidos. O fundo destacou ainda que segue monitorando a situação e colaborando com eventuais investigações, com o objetivo de garantir transparência e segurança na gestão dos recursos previdenciários.

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