A eventual saída de Nicolás Maduro do comando da Venezuela não representa, a curto prazo, a garantia de retomada da estabilidade econômica no país vizinho. A avaliação é do cientista político e professor universitário Paulo Rackoski, que ressalta que a crise venezuelana vai além da figura do atual governante.
Segundo o especialista, ao longo dos últimos anos a Venezuela perdeu importantes ativos econômicos mantidos no exterior, além de ter sua capacidade produtiva severamente comprometida por sanções internacionais, má gestão e insegurança institucional. “Mesmo com uma mudança no comando político, a reconstrução econômica demandaria tempo, reformas estruturais e a recuperação da credibilidade internacional”, destaca.
Rackoski também aponta que um eventual arrefecimento das pressões e intervenções de países estrangeiros poderia contribuir para um ambiente de maior estabilidade política. Para ele, a redução das agressões externas e a reaproximação diplomática seriam fatores importantes para restabelecer a ordem institucional e criar condições mínimas de governabilidade, algo que a Venezuela enfrenta com dificuldades há anos.
No entanto, o cientista político alerta que a normalização do país depende de um conjunto amplo de medidas, incluindo a reconstrução das instituições democráticas, o fortalecimento do Estado de Direito e a adoção de políticas econômicas consistentes, capazes de reverter a profunda crise social e econômica que atinge a população venezuelana.


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